CADASTRE-SE

 

E são dois anos de Dendê Eletrônico...
por Adriana Favilla - 03/01/2012.


E são dois “grandes anos” para o Dendê Eletrônico. Quando pensei nele lá trás, imaginei que não fosse passar de um mero blog. Fui criando parcerias e juntando pessoas que realmente acreditavam no meu sonho absurdo de colocar no ar um site sério que só falasse de música eletrônica. Não sei se vocês já repararam, mas não gosto muito de coberturas. A não ser aquelas imperdíveis (que já perdi por falta de uma pessoa que só faça isso para o site). Mas não suporto a ideia de saber que tem pessoas que entram no Dendê só para ver suas fotos.

 

Ele foi criado, pensado, embasado na mais objetiva vontade de falar SOMENTE de música eletrônica. Não quero ninguém entrando lá para ver suas fotos, se saiu bem em tal click ou não. Por mais que eu possa estar nadando contra a maré, o Dendê é um filho de dois anos e que vem alimentando e muito quem gosta MESMO de e-music.  Não quero perguntas idiotas, normais “como você virou DJ?” e afins.  Gosto quando alguns DJs (e não foram poucos) me respondem: “Nunca respondi a uma entrevista tão inteligente”.  Obrigada a quem me disse isso e os próprios sabem quem são. Não...não são de Salvador só para cortar um pouco da curiosidade alheia, risos...

 

Dentro destes dois anos, observei muito a cena soteropolitana e um pouco da baiana também que começou a se expressar como um todo. Em 100%, caindo na realidade, temos 60% de “elos”, “alianças” e afins que impedem DJs de ir e vir. É fato!  Os que querem mostrar o que realmente valem, saem do Estado e aí sim começam a ser respeitados aqui dentro. Começam a ter seu cachê devidamente pago. Porque custo é uma coisa, valor é outra! Em tudo, inclusive na música eletrônica. Em Salvador, os “tais valores” são extremamente distorcidos.  Infelizmente... E poucos, com medo de se comprometer com tal e tal contratante (até não os acho totalmente errados), tem a tal política de boa vizinhança. Afinal, precisam continuar tocando não é?

 

E aí? O quê dizer para os novos que estão doidos para sentir a energia que a gente vê em uma cabine? Como ficam? Que caminho seguirão? Já que os empresários e produtores de dentro só sabem chamar A, B ou C do circuito brasileiro que sequer entendem uma pista (claro que não são todos, obviedade comentar isto aqui). Das duas uma: atocham as pessoas com seu som e ponto final ou amolecem perante a uma pista morta e de Madonna a Lady Gaga tudo aparece. É a verdade, é a real de Salvador. Será que ninguém comenta em seus grupos? Será que nunca ninguém pensou: “Poxa, fulano chamou tal DJ bombado de fora para tocar, mas quem arrebentou mesmo foi cicrano daqui mesmo da terrinha”.

 

Temos DJs em Salvador MUITO BONS que são profundamente desrespeitados pelas panelinhas que são formadas e que não abrem nem uma brecha da tampa para ninguém mais entrar. Panelinhas estas visíveis para olhos atentos e observadores. Os meus são, não sei os seus...

 

Mesmo com dois anos de site com sangue soteropolitano, este não é uma coluna de “to cheia disso”. Não...é uma coluna de desabafo mesmo. Uma coluna que tenta, sei lá porquê, chamar a atenção de quem ainda tem ética profissional para o que temos visto acontecer com a música eletrônica em Salvador. 

 

E isto não se limita somente ao lado de cá...e os baladeiros? Não seria hora de pararem de procurar no flyer se tem a frase mágica “Open Bar” e irem à festa porque querem se divertir e curtem tal ou tal DJ?  São dois lados de uma moeda complicadíssima de lidar... Mais fácil de lidar é a moeda do Duas Caras do Batman...

 

Enfim, como é minha coluna e posso falar o que penso sem citar nomes e ser severamente punida por isso, parabenizo aos grandes profissionais (porque creiam: eles existem em solo baiano) que lutam, que suam, que pesquisam, que levantam a voz, que sabem MUITO BEM conduzir uma pista e que querem que a Bahia seja um Estado visto não só como a área de lazer do axé, mas também como o grande playground da boa música eletrônica.

 

E o meu muito obrigada a cada um de vocês que dão todo apoio possível ao Dendê Eletrônico. Continuaremos nesse passo, reformulando ideias, focando no que de melhor exista em e-music séria! Obrigada, mais uma vez por nos deixar entrar em seu território...obrigada!