
Somos "educadores de ouvido"! Amém!
por Vanessa Müller - 22/08/2011.
Falar de cena eletrônica baiana, automaticamente, nos remete a Salvador. Óbvio, afinal, estamos falando de capital, eixo urbano, um dos principais corações financeiros da Bahia e onde talvez, a música eletrônica, grandes DJs em nível nacional e internacional e grandes selos de e-partys estejam mais acessíveis para nós.
Na verdade o que existe, nada mais é do que uma centralização de muito investimento e uma formulação de conceito que gira em torno de soterópolis, e a real é que quem vive aqui, mal pode imaginar o que existe de música eletrônica nas grandes capitais baianas, fora de Salvador.
Chegando em Vitória da Conquista, no Festival de Inverno, fui surpreendida com um público exigente, nada conformado com o mainstream, atraído pelo conceitual, vibrando ao som de um prog house, fritando com o trance e fervídissimo com as timbragens do Dutch House. Pode-se imaginar que, em uma única noite, não é tão comum reunir vertentes tão “distintas” em um só lugar, que agreguem o mesmo público. É fato que nos festivais e movimentos de e-music que acontecem em nossa região, podemos acompanhar sim esse mix de gêneros musicais. Entretanto, cada um abocanhando a sua fatia de seguidores.
Assim como foi a afirmação do DJ Robertinho, natural de Vitória da Conquista, o que se vê por lá, é um público que já está acostumado e foi formatado para a proposta de som que é tão evidente na cidade. É certo que a música é bem democrática e cosmopolita e a prática do “toma lá, dá cá” de nós DJs quando estamos conduzindo uma pista, muitas vezes é necessária, mas o fato de ceder sempre aos pedidos do público, não seria quebrar exatamente o rótulo e o tal conceito de que DJ, nada mais é do que o bom educador de ouvidos????

* Vanessa Müller é DJ e uma das redatoras do Dendê Eletrônico e foi uma das convidadas da Tenda Eletrônica Claro, no Festival de Inverno de Conquista